COMPANHIA DOS TRES REIS DO ORIENTE

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Os foliões vão chegando aos poucos na casa do seu Orlando, na Vila Terezinha. É de lá que sai a bandeira e é para lá que ela volta, depois das visitas da folia aos presépios. Os palhaços se enfiam em suas fantasias, os músicos afinam os instrumentos. O calor é forte, há previsão de chuva e cada folião leva consigo um guarda chuva. Vão visitar os presépios nas casas, faça sol ou faça chuva. Os integrantes desta folia são migrantes. Vieram de Minas Gerais, Paraná e interior de São Paulo. Aqui se juntaram, há mais de 30 anos retomaram uma tradição de seus locais de origem, a Folia de Reis. Com poucas adaptações, a manifestação é a mesma que eles viram e participaram quando crianças.

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Orlando estoura os rojões, anunciando a saída da folia. As pessoas saem às janelas para ver o ruidoso cortejo. Alguns aplaudem, outros dão vivas a “Santo Reis”. As crianças se aproximam, entre curiosas e assustadas com os palhaços (também chamados de marungos). As visitas são combinadas de antemão. No portão um marungo chama o dono da casa, pergunta se ele quer receber a folia. É passada a bandeira ao morador que atende a porta, vão todos para a frente do presépio e iniciam-se as loas. Às vezes a folia recebe uma doação, dada sempre nas mãos do marungo. Na folia do Orlando, as doações são encaminhadas para a Igreja do bairro. Às vezes os devotos amarram fitas na bandeira, com pedidos ou agradecimentos às graças alcançadas. Às vezes serve-se um lanche para os foliões, café ou refrigerante com bolo ou pão com carne. A cada vez há fé, emoção e derramamento de lágrimas.

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Até mesmo alguns evangélicos pedem a visita das folias, dizem que tem saudade do tempo que eram crianças e saíam correndo de medo dos marungos. Claro que os pastores não podem saber disso… A última casa vamos visitar, é de uma senhora que está há mais de 10 anos numa cama, sem movimentos nas pernas. Desde que adoeceu ela pede a “Santo Reis” para que diminuam suas dores na coluna.

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Entram todos os foliões no minúsculo quarto, a senhora deitada na cama está visivelmente emocionada. Ela busca a mão de um dos palhaços e a aperta com toda força de sua devoção, enquanto a folia, na voz do mestre, pede pela saúde da senhora e de todos que moram naquela casa. Alguém me oferece um banquinho para que eu possa filmar a cena do alto. Minha vista se turva diante da cena, eu não consigo focar, mudo para o foco automático e esqueço que estou filmando, me deixando levar pela emoção. Na saída da folia pergunto à Ana, neta da senhora doente se posso colocar as cenas no facebook e no YouTube. Espantada, ela diz com veemência: __Claro que sim! Pra confirmar a força dos Santos Reis, claro que o senhor pode colocar! E me dê seu cartão, por favor, é para o meu avô, para ele poder ver as fotos! O avô dela é o Argemiro, um senhor de 85 anos, que todos os dias vai ao computador para, segundo ele, diminuir a distância entre seus netos e ele.

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