O CAIPIRA ASSUMIDO

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Seu Geraldo tem 64 anos e “pita” desde os 3, quando o pai enrolou e deu ao filho seu primeiro cigarro de palha. Assim lhe contou a mãe. Seu pai era fumeiro, plantava e processava o tabaco como atividade secundaria. Antigamente o fumo era barato, ninguém vivia só de plantar fumo.

Estar com seu Geraldo, é vê-lo enrolar e acender um cigarro de palha atrás do outro. Ele pacientemente alisa a palha do milho, corta-a no tamanho certo, passa uma saliva que diz que é para ficar mais “legal”, corta o fumo com um canivete surrado, coloca-o entre as palmas das mãos e num movimento circular que ele chama de “misgaiar”, reduz os pedaços a um pó grosseiro que finalmente vai enrolar na palha. Depois de enrolado, acende o cigarro com um isqueiro a gás e começa a pitar.

Nas duas horas que estive com ele, uns bons 4 cigarros de palha foram enrolados na palha do milho que ele mesmo planta e reserva para esta finalidade. Fumo ele não planta mais, compra de quem planta ou do comércio mesmo.

Este caipira assumido mora no mesmo lugar em que nasceu, no Bairro do Serrano em São Bento do Sapucaí SP e nunca passou pela cabeça sair dali. Sua esposa, a dona Cacilda é da mesma opinião.

Sua saúde vai bem, obrigado. Ele não tem doença nenhuma, não toma remédio e quando pega uma gripe ou tem dor de barriga recorre aos matos que encontra em volta da casa.

Aposentado, ele ainda planta para o gasto e gosta de ajudar os amigos quando é chamado. Para matar um porco, destalar fumo, arrumar uma cerca, essas coisas que só se faz ainda na roça.

Nos bancos escolares ele sentou por três meses, quando tinha 17 anos; foi pouco mas aprendeu o suficiente para o gasto. Sabe assinar o nome e fazer contas mais rápido do que muita gente formada.

Segundo ele, antigamente ninguém dava bola para os caipiras. Hoje as pessoas tratam o pessoal da roça com mais respeito e reconhecem o valor da vida no campo. Haja vista a quantidade de gente da cidade que está vindo morar na vizinhança… Antigamente ninguém queria morar na roça, as terras não tinham valor. Hoje, os que venderam suas terras choram arrependidos… Assista o vídeo abaixo, que começa, justamente, com um comentário sobre o caboclo que vendeu o sítio e foi morar na cidade…

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